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0 Reforma Ortográfica


Olá pessoal, quase 2 anos depois da implantação do novo acordo ortográfico e, não sei vocês, mas eu ainda tenho dúvidas...

Achei um guia da Michaelis e uma tabela bem legal para consultar e resolvi compartilhar com vocês.

Bjos

GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA
Douglas Tufano
 © 2008 Editora Melhoramentos Ltda.

Acordo Ortográfico

O objetivo deste guia é expor ao leitor, de maneira objetiva, as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em  Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995.
Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países.
Como o documento oficial do Acordo não é claro em vários aspectos, elaboramos um roteiro com o que
foi possível estabelecer objetivamente sobre as novas regras. Esperamos que este guia sirva de orientação básica para aqueles que desejam resolver rapidamente suas dúvidas sobre as mudanças introduzidas na ortografia brasileira, sem preocupação com questões teóricas.
As novas regras ortográficas que começaram a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2009, são as seguintes:

Mudanças no alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y.
O alfabeto completo passa a ser:
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua,
são usadas em várias situações. Por exemplo:
a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);
b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.

Trema

NÃO SE USA MAIS O TREMA (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.
Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.
Exemplos: Müller, mülleriano.

Mudanças nas regras de acentuação

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento
tônico na penúltima sílaba).

Como era                          Como fica
alcalóide                              alcaloide
alcatéia                                 alcateia
andróide                              androide
apóia (verbo apoiar)              apoia
apóio (verbo apoiar)              apoio
asteróide                             asteroide
bóia                                       boia
celulóide                             celuloide
clarabóia                            claraboia
colméia                               colmeia
Coréia                                 Coreia
debilóide                            debiloide
epopéia                              epopeia
estóico                                estoico
estréia                                 estreia
estréio (verbo estrear)         estreio
geléia                                   geleia
heróico                               heroico
idéia                                     ideia
jibóia                                   jiboia
jóia                                       joia
odisséia                             odisseia
paranóia                            paranoia
paranóico                         paranoico
platéia                                plateia
tramóia                              tramoia

Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

Como era                       Como fica
baiúca                                 baiuca
bocaiúva                           bocaiuva
cauíla                                  cauila
feiúra                                   feiura

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece.
Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

Como era                            Como fica
abençôo                                 abençoo
crêem (verbo crer)                   creem
dêem (verbo dar)                     deem
dôo (verbo doar)                      doo
enjôo                                       enjoo
lêem (verbo ler)                        leem
magôo (verbo magoar)            magoo
perdôo (verbo perdoar)          perdoo
povôo (verbo povoar)             povoo
vêem (verbo ver)                     veem
vôos                                        voos
zôo                                          zoo

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

Como era                                                 Como fica
Ele pára o carro.                                    Ele para o carro.
Ele foi ao pólo Norte.                         Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar pólo.                     Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pêlos brancos.         Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pêra.                                      Comi uma pera.

Atenção:

• Permanece o acento diferencial em pôde/pode.
   - Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular.
   - Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

• Permanece o acento diferencial em pôr/por.
   - Pôr é verbo. Por é preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir, etc.).
Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
                 Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
                 Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
                 Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
                 Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
                 Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir, etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.
Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.

Exemplos:
• verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
• verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.

b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
    Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras):
• verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas,enxagua, enxaguam; enxague,enxagues, enxaguem.
• verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.

Uso do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice, etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.
    Exemplos: anti-higiênico
                      anti-histórico
                      co-herdeiro***
                      macro-história
                      mini-hotel
                      proto-história
                      sobre-humano
                      super-homem
                      ultra-humano
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

*** VEJA OBSERVAÇÃO NO FINAL DA POSTAGEM SOBRE CO-HERDEIRO

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.
Exemplos: aeroespacial
                  agroindustrial
                  anteontem
                  antiaéreo
                  antieducativo
                  autoaprendizagem
                  autoescola
                  autoestrada
                  autoinstrução
                  coautor
                  coedição
                  extraescolar
                  infraestrutura
                  plurianual
                  semiaberto
                  semianalfabeto
                  semiesférico
                  semiopaco

Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante, etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s.
Exemplos: anteprojeto
                  antipedagógico
                  autopeça
                  autoproteção
                  coprodução
                  geopolítica
                  microcomputador
                  pseudoprofessor
                  semicírculo
                  semideus
                  seminovo
                  ultramoderno

Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.
Exemplos: antirrábico
                  antirracismo
                  antirreligioso
                  antirrugas
                  antissocial
                  biorritmo
                  contrarregra
                  contrassenso
                  cosseno
                  infrassom
                  microssistema
                  minissaia
                  multissecular
                  neorrealismo
                  neossimbolista
                  semirreta
                  ultrarresistente
                  ultrassom

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.
Exemplos: anti-ibérico
                 anti-imperialista
                 anti-inflacionário
                 anti-inflamatório
                 auto-observação
                 contra-almirante
                 contra-atacar
                 contra-ataque
                 micro-ondas
                 micro-ônibus
                 semi-internato
                 semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.
Exemplos: hiper-requintado
                 inter-racial
                 inter-regional
                 sub-bibliotecário
                 super-racista
                 super-reacionário
                 super-resistente
                 super-romântico
Atenção:
• Nos demais casos não se usa o hífen.
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça, etc.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano, etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos: hiperacidez
                 hiperativo
                 interescolar
                 interestadual
                 interestelar
                 interestudantil
                 superamigo
                 superaquecimento
                 supereconômico
                 superexigente
                 superinteressante
                 superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.
Exemplos: além-mar
                 além-túmulo
                 aquém-mar
                 ex-aluno
                 ex-diretor
                 ex-hospedeiro
                 ex-prefeito
                 ex-presidente
                 pós-graduação
                 pré-história
                 pré-vestibular
                 pró-europeu
                 recém-casado
                 recém-nascido
                 sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçue mirim.
Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não
propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.
Exemplos: girassol
                  madressilva
                  mandachuva
                  paraquedas
                  paraquedista
                  pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.
Exemplos: Na cidade, conta-se que ele foi viajar.
                  O diretor recebeu os ex-alunos.

RESUMO
Emprego do hífen com prefixos.

Regra básica
Sempre se usa o hífen diante de h***: anti-higiênico, super-homem.

*** VEJA OBSERVAÇÃO NO FINAL DA POSTAGEM.
Outros casos
1. Prefixo terminado em vogal:
• Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.
• Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo.
• Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.
• Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.

2. Prefixo terminado em consoante:
• Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.
• Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.
• Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

Observações
1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r sub-região, sub-raça, etc. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano, etc.
3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante, etc.
4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante, etc.
5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.

A Editora Melhoramentos, sempre preocupada em auxiliar os estudantes brasileiros no seu aprendizado
e crescimento pessoal, lança o Guia Prático da Nova Ortografia, que mostra, de maneira clara e objetiva, as
alterações introduzidas na ortografia do português pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).
A implantação das regras desse Acordo, prevista para acontecer no Brasil a partir de janeiro de 2009, é
um passo importante em direção à criação de uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países que tenham o português como língua oficial: Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste.
Este guia não tem por objetivo elucidar pontos controversos e subjetivos do Acordo, mas acreditamos que
será um valioso instrumento para o rápido entendimento das mudanças na ortografia da variante brasileira.
As dúvidas que porventura existirem após a leitura do Guia Prático da Nova Ortografia certamente serão resolvidas com a publicação de um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), como está previsto no Acordo.
Editora Melhoramentos
Agosto de 2008.

*** OBSERVAÇÃO: COERDEIRO ou CO-HERDEIRO

Vocês irão observar que no Guia da Michaelis está escrito co-herdeiro e na tabela acima coerdeiro.
Como não sou especialista no assunto, busquei resposta no blog do Prof. Gilberto Scarton.
Veja abaixo:

Reza o Acordo na Base XVI, 1º), letra a) que só se emprega o hífen nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiênico, circum-hospitalar, co-herdeiro (...)

Portanto, co-herdeiro.

Em seguida, na mesma Base XVI, letra b), em forma de observação, está registrado nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante (...)

Por isso, entende-se que se deva grafar coerdeiro.

Essa é a primeira incoerência; a primeira falta de clareza, de explicitação clara.

Para completar, deve-se referir a Base II, 2º), letra b), que preceitua a supressão do h inicial quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente: biebdomedário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomen, reabilitar, reaver.

Logo: coerdeiro.

Diante de quanto foi exposto até aqui, a que conclusão chegar?

Entende-se que a forma coerdeiro pode ser defendida
a) invocando-se a Base XVI, letra b), conforme observação;
b) invocando-se a Base II, 2°, letra b);
c) levando-se em conta as grafias coabitar, coabitação, aceitas sem contestação.

Para finalizar, acrescente-se que o Acordo não pode ser criticado como um todo por causa de suas inúmeras imperfeições; e que o ponto de vista aqui defendido pode ser contestado. Arrematar-se-ia dizendo que ortografia é convenção.
.

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