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1 Entre o Céu e a Terra (Poema lindíssimo)

Encontraram-se um dia uma lágrima, uma estrela, uma pérola e um orvalho:

Falou primeiro a estrela:

Quem diria que eu tivesse o trabalho de descer das alturas
luminosas para vir conversar com vocês três?
Não sabem que sou mais alta que as nuvens,
e que minha altivez fulgura entre mil
chamas radiosas na infinita amplidão ?
Não é a minha existência transitória.
Desde que existe o mundo, acendo o
firmamento por entre o universal deslumbramento.
Qual de vocês terá tamanha glória,
se não passam do chão ?

Mas respondeu a pérola vaidosa:

Quem te dará valor entre milhões de
lâmpadas no espaço ?
Tu não passas de um grão de explendor
metido na poeira do infinito.
Ninguém se lembra de te por no braço,
enquanto eu, lá no fundo dos oceanos
sou buscada e vendida aos soberanos
para enfeitar com minha limpidez "A Coroa dos Reis".
Vivo no colo explendido dos nobres,
e sobre o rico seio das Rainhas.
Não como tu que sob o olhar dos pobres
poetas vagabundos te encaminhas...

Valho mais que tu, e mais ainda valho
do que um simples orvalho e uma lágrima,
pois ambos gotas d'água sem o mínimo valor

Disse o orvalho com mágoa.

Nenhuma de vocês tem esse encanto
de transformar-se em gozo na
boca imaculada de uma flor.

Eu venho lá de cima, radiante
nos braços da alvorada
para cobrir de beijos uma rosa
que se sente tão doce nesse instante
que vale a pena vê-la tão ditosa,
E trazer riso ao coração da terra
"engolfada no pranto"

Eis como sou feliz... Ou na campina
ou no cimo da serra
sou sempre uma esperança cristalina
nos lábios sorridentes de uma flor.

Calou-se o orvalho. E a lágrima
coitada! Esta nada dizia...
E que responde tu ?

E ela rolada nada ousava falar...
Porém sublime, com calma respondeu:

Sou o perdão no crime
e a vibração no amor
bailo no olhar risonho da alegria
moro no olhar tristíssimo da dor
sou a alma da saudade e da harmonia
sou até estribilho
na lira soluçante dos poetas...
sou oração no pito dos ascetas,
sou relíquia de mãe em coração de filho,
sou lembrança de filho em coração de mãe.

Não vivo sobre seios perfumosos
e colos orgulhosos
na ostentação efêmera do luxo...
Porém, penetro o espírito do mundo:
seja do rei, do sábio mais profundo,
do rústico mais vil, do pecador,
do santo e até na face do Senhor
Um dia já rolei...

Eu, lágrima, pequena, penetrei
no coração de Deus,
e fiz extremecer e abrir-se extasiado
o pórtico dos Céus !
Não sei quantos pecados já lavei...

A lágrima calou-se humildemente...
              Deslumbrado
O Silêncio a tudo isto contemplou
              Serenamente
Na vastidão vazia

A estrela se ocultou
por detrz duma nuvem... e chorava...

A pérola desce à profundez dos mares
E chorava também...

O orvalho tremulando sobre a relva...
Também chorava...

E a lágrima
                               SORRIA !!!

Autor: Frei Solitário
.

Um comentário:

Reinar em vida disse...

Uma linda poesia, Parabéns pelo bom gosto! :a

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